Crítica Polícia Federa - A Lei É Para Todos

Crítica Polícia Federal – A Lei É Para Todos

August 30, 2017 , In: Resenhas , With: No Comments
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Filme baseado no livro de mesmo nome, pelos autores Carlos Graieb e Ana Maria Santos, a obra Polícia Federal – A Lei É Para Todos trás um retrato das primeiras fases da Operação Lava Jato, da perspectiva dos policiais e delegados envolvidos no caso. Um filme que, segundo o diretor Marcelo Antunez, ‘não é político’. Ou não é para ser.

A obra tem como objetivo esclarecer o que aconteceu durante as primeiras fases da operação e, com sorte, levar alguma reflexão aos espectadores sobre o que está acontecendo no país. Ela nos guia desde o começo das operações, a partir do que era para ser uma investigação de contrabando de drogas até a condução coercitiva do ex-presidente Lula. É claro que ainda há muita história para contar e que esse filme faz parte de uma série.

“Que país é esse?”, é uma frase que aparece diversas vezes durante o caso, como visto no filme como fala de um dos réus, que não acredita que está realmente sendo preso – e também na própria operação, como nome de uma das fases. Essa é a frase que guia o filme, pois mesmo em uma operação tão grande e intensa quanto essa, alguns dos policiais ainda não acreditam que serão capazes de mudar alguma coisa no país com tudo que estão fazendo em suas investigações.

O filme é mostrado pela visão da Polícia Federal e, especialmente três oficiais que protagonizam a cena em questão, os delegados Julio Cesar e Beatriz, interpretados por Bruce Gomlevsky e Flávia Alessandra e Ivan Romano, o coordenador da Lava Jato, interpretado por Antonio Calloni. Os policiais neste filme são trazidos como os heróis da história, os mocinhos que vieram para acabar com o mal presente no país, coisa que até para eles parece ser impossível. O protagonismo deles é tanto que até o juiz Sergio Moro (Marcelo Serrado) é deixado de lado. Quase não ouvimos o seu nome, sendo ele referido comumente como apenas “O juiz”. Apesar do estrelismo destes personagens, a presença da delegada Beatriz e o empoderamento que lhe deram é um alívio e é recebido de braços abertos.

O filme é repleto de exageros e enquanto idolatra os oficiais que cuidam do caso, trata os empresários e políticos como bandidos, estes que aparecem com seus nomes reais na película, quando todos os oficiais ganharam pseudônimos. É um filme tão repleto de mistérios quanto seu roteiro, pois nem o investidor secreto foi revelado. Especulações rolam pela internet sobre quem estaria por trás da obra e que talvez esse seja o motivo dela focar tão fortemente no idealismo da PF e no vilanismo de alguns partidos específicos (diga-se de passagem, o PT) em detrimento de outros.

Deixando de lado o roteiro e aceitando que, em uma obra desse porte, algumas licenças poéticas precisaram ser tomadas, é bem fácil elevar esse filme a um patamar de um típico filme policial, com cenas de ação emocionantes – pois embora o trabalho da PF seja majoritariamente de investigação, ninguém aguentaria ver 2 horas apenas disso na tela -, personagens cativantes e um mistério maior a ser desvendado. A forma como a obra é executada é primorosa, nos trazendo cenas bem editadas e dirigidas, com luz e enquadramento muito bons e atores talentosíssimos.

Policia Federal – A Lei É Para Todos pode ter algumas incoerências nos fatos, mas foi muito bem executado como uma obra policial e vai depender de cada um que o assiste, determinar até onde levá-lo a sério.

Lory Fernandes

Lory Fernandes. Soteropolitana, mas suspeita que tenha nascido na cidade errada. Se duvidar, no planeta errado. Designer, aspirante a ilustradora e tem o sonho de se tornar escritora profissional e poder conquistar o mundo com seus personagens. 21 anos de pura teimosia, ciúmes, amor e mágoas superadas.

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Lory Fernandes

Escritora

Lory Fernandes. Soteropolitana, mas suspeita que tenha nascido na cidade errada. Se duvidar, no planeta errado. Designer, aspirante a ilustradora e tem o sonho de se tornar escritora profissional e poder conquistar o mundo com seus personagens. 21 anos de pura teimosia, ciúmes, amor e mágoas superadas.

Lory Fernandes

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