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Crítica: Bingo – O Rei das Manhãs

August 23, 2017 , In: Resenhas , With: No Comments
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A estreia de Daniel Rezende como diretor e uma das melhores e mais emocionantes performances de Vladimir Brichta trazem as telonas uma das obras nacionais mais esperadas do ano e que com certeza não vai decepcionar ninguém.

Altamente reconhecido pelo seu trabalho como montador, Daniel Rezende já ganhou inúmeros prêmios por suas edições e foi inclusive indicado ao Oscar por seu trabalho na obra Cidade de Deus. Sua estreia como diretor não podia ter sido mais bem sucedida. Com toda a bagagem e o conhecimento que ele tem, Rezende conseguiu criar cenas impactantes e profundas, colocando O Rei das Manhãs num patamar de excelência em direção.

O filme relata a trajetória do primeiro ator a personificar o palhaço Bozo no Brasil (nome trocado por Bingo, para evitar problemas com direitos autorais), que teve um sucesso estrondoso na década de 80. Antonio Mendes (que também teve o nome trocado, originalmente se chama Arlindo Barreto) era filho de uma atriz em decadência e acreditava que ele não merecia menos do que os holofotes. Depois de recusar um papel de “vaso” em uma novela da Mundial (também conhecida como Globo), ele acaba por acaso participando de uma seleção para o novo palhaço da emissora TVP (ou SBT) e é escolhido tão logo seu talento é posto à prova.

Vemos a seguir a típica jornada de um ator (ou até um herói). Ele falha nas primeiras tentativas, mas não desiste. Treina ainda mais arduamente do que antes, chegando a tomar aulas num circo da cidade, com um palhaço interpretado por Domingos Montagner em uma de suas últimas aparições nas telas.

Ele eventualmente consegue captar a essência do palhaço Bingo e se torna um sucesso de audiência, chegando a contar com a ajuda de Gretchen em seu programa (interpretada pela atriz Emanuelle Araújo). Porém, a necessidade de manter em segredo a identidade do ator por trás da menor máscara do mundo traz a vida de Antonio uma série de frustrações, carregadas por álcool, drogas e muito sexo, além de um distanciamento notório de sua família.

Apesar do roteiro um tanto previsível – mesmo este sendo baseado em uma história real -, o filme nos trás uma história incrível. Apesar do elencode primeira que conta com o Emanuelle Araújo, Pedro Bial, Leandra Leal, Ana Lúcia Torre, Augusto Madeira entre outros, ninguém consegue roubar mais a cena do que Vladimir Brichta em sua interpretação de gênio deste personagem que são praticamente dois ao mesmo tempo: o palhaço Bingo e Antonio Mendes.

Esse é um filme de exageros, cheio do que na época do Bingo era aceitável, coisas que hoje certamente seriam julgadas e criticadas. São tantos detalhes de ambientação, que é possível se transportar para a década de 80 assistindo O Rei das Manhãs, e mesmo quem não viveu nessa época ou não está acostumado com os memes do assunto pode chegar a sentir uma certa nostalgia.

Bingo, no fim das contas, é um filme divertido e engraçado, mas cuja diversão não apaga o drama que está presente nele. É um uma obra magnífica e precisa ser vista por todos os amantes de cinema.

Lory Fernandes

Lory Fernandes. Soteropolitana, mas suspeita que tenha nascido na cidade errada. Se duvidar, no planeta errado. Designer, aspirante a ilustradora e tem o sonho de se tornar escritora profissional e poder conquistar o mundo com seus personagens. 21 anos de pura teimosia, ciúmes, amor e mágoas superadas.

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Lory Fernandes

Escritora

Lory Fernandes. Soteropolitana, mas suspeita que tenha nascido na cidade errada. Se duvidar, no planeta errado. Designer, aspirante a ilustradora e tem o sonho de se tornar escritora profissional e poder conquistar o mundo com seus personagens. 21 anos de pura teimosia, ciúmes, amor e mágoas superadas.

Lory Fernandes

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