Velozes e Furiosos 8

Crítica Velozes e Furiosos 8, um filme exatamente como esperávamos

April 12, 2017 , In: Resenhas , With: No Comments
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Nome do filme: Velozes e Furiosos
Nota: 2,5 de 5
Ano de lançamento: 2017
Diretor: F. Gary Gray
Gênero: ação

Lembro-me de ter lido certa vez um texto de Ferreira Gullar que dizia “A novela de televisão – com raras exceções – pode ser definida como uma história implausível que se desdobra em episódios cada vez mais implausíveis […] Outra característica da vilã é a capacidade que tem de consumar suas maldades sem que nada o dificulte ou impeça.” Ao assistir Velozes e Furiosos 8 – em seu título original The Fate of the Furious, que remete a um final próximo da série, filme confirmado como sendo o primeiro pertencente a uma trilogia que levará ao fim de da franquia – percebi que o que eu estava assistindo muito se assemelhava a uma novela da dramaturgia brasileira, o que não precisa ser de todo ruim.

Desde 2001, a corrida de carros se tornou um dos favoritos temas de filmes de ação de seu público, com o lançamento do primeiro filme Velozes e Furiosos. E, mesmo quase 17 anos depois, ele não deixa de surpreender em suas cenas de ação cada vez mais exageradas, mostrando que é uma das únicas sequências de filmes de uma franquia que consegue manter-se firme em seus propósitos. Um filme divertido e cheio de cenas cada vez mais mirabolantes, mas que dificilmente passa disso.

O protagonista, Dominic Toretto, encontra-se frente a um terrível desafio neste filme: enfrentar a sua própria família, ao aliar-se com a vilã Cipher – interpretada por Charlize Theron. Tal união entre o protagonista e a mais perigosa hacker do mundo tem o seu porquê sendo revelado ao longo da narrativa, em inserções que vem numa tentativa de dar ao filme um ar um pouco mais profundo – que falha terrivelmente em sua maioria pela falta de capacidade de Vin Diesel em demonstrar o que realmente o personagem está vivendo.

A sua família – os outros corredores – devem então impedir Dom de continuar seus ataques e descobrir porque ele está agindo dessa forma, jamais perdendo a confiança em seu parceiro. O que acontece em seguida é uma sucessão de eventos que apenas prova que nada de ruim pode acontecer a essas pessoas, como se o caminho estivesse aberto para eles e tudo que eles tentem fazer seja muito simples, como invadir uma base militar ou roubar tecnologia nuclear – o mesmo acontece com a antagonista, que encontra poucos reais desafios em sua jornada – e o filme acaba quase virando uma guerra entre quem consegue fazer mais coisas surreais em menos tempo. A corrida de carros virou um espetáculo, no qual tudo pode acontecer e os protagonistas jamais saem gravemente feridos.

Porém, quem entra na sala de cinema para assistir Velozes e Furiosos 8 não está esperando uma trama intricada e cheia de detalhes, e sim por mais e mais cenas de carros pulando edifícios, batendo em outros carros e explosões. Além de novamente exibir Dwayne Johnson e Jason Statham, que trazem com suas brigas hilárias um alívio cômico ao filme e devolvem a ele o tom divertido que parece que tentaram equilibrar com o drama de Dominic. O filme não deixa o telespectador decepcionado, porém traz um exagero em si que vem se tornando cada vez mais comum no decorrer dos filmes da franquia, utilizando-se de muitos recursos pirotécnicos e cenas completamente irreais para representar o que antes encantou seu público.

No fim das contas, Velozes e Furiosos é um filme que tem o que se espera dele e nada mais, cenas de ação extremamente elaboradas e uma história de fundo que pode-se chamar de previsível e que não impacta tanto quanto os carros explodindo.

Resenha públicada no Blog Lápis 2b.

Lory Fernandes

Lory Fernandes. Soteropolitana, mas suspeita que tenha nascido na cidade errada. Se duvidar, no planeta errado. Designer, aspirante a ilustradora e tem o sonho de se tornar escritora profissional e poder conquistar o mundo com seus personagens. 21 anos de pura teimosia, ciúmes, amor e mágoas superadas.

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Lory Fernandes

Escritora

Lory Fernandes. Soteropolitana, mas suspeita que tenha nascido na cidade errada. Se duvidar, no planeta errado. Designer, aspirante a ilustradora e tem o sonho de se tornar escritora profissional e poder conquistar o mundo com seus personagens. 21 anos de pura teimosia, ciúmes, amor e mágoas superadas.

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